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Imagem: https://www.flickr.com/photos/petukhovanton/ |
Quinze minutos depois do tchau, percebi que fui
absolutamente grossa com alguém. Alguém bacana, legal, que não tinha a menor
ideia de porque eu estava sendo daquele jeito. Em minha defesa, se alguém
interrompesse a cena naquele exato instante, eu também não saberia dizer.
Quer dizer, o sujeito é um colega menos experiente e foi
contratado, coisa que eu venho requerendo há um bom tempo naquela empresa. Sabe
menos do que eu, em geral, e estava me explicando as mudanças mínimas que
fariam diferença no meu expediente daquele dia.
Tá, tá, e a minha cabeça girando, por que ele e não eu que
venho comendo grama amanhecida há tanto tempo. Porque, a minha mente
responderia dez minutos depois, você estava em outra e não tem ideia de quando e
porque isso foi definido. Não há culpados, só a vida que corre.
Então, acontece que dessa vez eu fui a escrota com alguém. Tantas
vezes alguém foi comigo e eu sempre avaliava que a pessoa devia estar com algum
problema dela e eu virava saco de pancada apenas porque calhara de estar no
lugar errado e na hora errada. Que a pessoa não era, necessariamente, uma
escrota, poderia apenas estar sendo uma no momento.
Espero que, surja uma oportunidade de eu me desculpar com o
sujeito. Mas perceber que eu fui uma escrota é melhor do que não ter percebido,
do que passar a fazer as coisas no automático e adotar isso como modo de vida. Não
significa que eu esteja me sentindo ótima e iluminada com esse insight, longe
disso. Mas, pelo menos, resta a certeza de que não me perdi de todo.